O filósofo alemão Jürgen Habermas, uma das figuras centrais do pensamento europeu das últimas décadas, morreu aos 96 anos, anunciou a editora Suhrkamp Verlag este sábado, através da rede social Bluesky.
Nascido a 18 de Junho de 1929, em Düsseldorf, homem que revolucionou a herança intelectual da Escola de Frankfurt deixa um legado que atravessa filosofia, sociologia e teoria política, marcando profundamente o século XX e o início do XXI.
Habermas foi um dos raros pensadores cuja obra se tornou referência global. Da ética discursiva à teoria da acção comunicativa, passando pelo conceito de esfera pública, a sua influência moldou debates sobre democracia, comunicação e justiça social.
Participou activamente de discussões sobre a Europa e a política pós-guerra, advogando sempre pelo diálogo racional como ferramenta para enfrentar os desafios do nacionalismo e da fragmentação social.
Habermas foi membro da Juventude Hitleriana, mas demasiado jovem para ter participado na guerra. O colapso do nazismo marcou profundamente a sua adolescência e moldou o compromisso posterior com a democracia deliberativa e a ética do discurso.
Nos anos 1960, tornou-se voz dos protestos estudantis alemães e, décadas mais tarde, denunciou o que considerava riscos de “fascismo de esquerda” ao Estado de Direito. Em 1989, criticou os métodos de reunificação alemã, argumentando que o processo estava demasiado orientado pelas forças de mercado.
Entre as suas obras mais emblemáticas destacam-se Strukturwandel der Öffentlichkeit (1962), que analisou a transformação da esfera pública; Theorie des kommunikativen Handelns (1981), marco da teoria da acção comunicativa; e Die postnationale Konstellation (2001), que reflectiu sobre a política global e o pós-nacionalismo.
Nos últimos anos, Habermas dedicou-se à promoção de um projecto federal europeu, acreditando que a unidade continental era a melhor defesa contra a repetição das rivalidades nacionalistas que marcaram o século XX.
Residente em Starnberg, era viúvo de Ute Wesselhoeft, falecida em 2025, e pai de três filhos: Tillmann, Rebekka (1959–2023) e Judith.
O mundo intelectual perde hoje um pensador cuja autoridade moral e intelectual atravessou fronteiras, sendo lembrado não apenas pelo rigor das suas ideias, mas também pelo compromisso inabalável com o diálogo, a democracia e a ética comunicativa.
Por: SA



