“Levo Angola comigo em tudo o que faço” – Hélia Sandra

O jornal Gazeta do Estudante destaca esta quarta-feira, 22, o percurso inspirador de Hélia Sandra, jovem angolana, actualmente a residir em Portugal, que une talento artístico e dedicação académica. Em entrevista exclusiva, a cantora e estudante de Comunicação Social na Universidade Agostinho Neto fala sobre as influências que moldaram a sua identidade, os desafios de conciliar a música com os estudos e o compromisso de representar a sua geração com autenticidade. Com emoção e propósito, Hélia constrói uma trajectória marcada pela coragem, verdade e paixão pelo mundo musical.

Quem é Hélia Sandra para além de artista e estudante conhecida?

Hélia Sandra é uma mulher sonhadora, determinada e profundamente ligada às suas raízes. Sou alguém que acredita que a arte e o conhecimento caminham lado a lado, e que cada fase da vida deve ser vivida com propósito. Para além da música e dos estudos, sou uma pessoa simples, que valoriza a família, os amigos e o crescimento pessoal em todas as dimensões.

Como se descreveria a alguém que nunca ouviu falar de si?

Descrever-me-ia como uma artista versátil, apaixonada pela autenticidade e pela mensagem que a música pode transmitir. Tenho uma alma curiosa, criativa e resiliente. Gosto de experimentar, aprender e desafiar-me constantemente — porque acredito que só assim se evolui, tanto na arte como na vida.

Como foi crescer em Angola?

Crescer em Angola foi uma bênção e uma escola de vida. É um País cheio de ritmo, de cor e de emoção — e isso moldou quem eu sou. A forma como as pessoas vivem, o calor humano, as histórias e as tradições ajudaram-me a construir a minha identidade artística e pessoal. Angola ensinou-me a ser grata, a lutar e a sonhar.

Existem memórias de infância ou adolescência que considera marcantes para o que é hoje?

Sem dúvida. Lembro-me de cantar desde muito cedo, por volta dos 8 anos de idade, nas pequenas reuniões familiares e em eventos escolares. Foi aí que percebi o poder da música — a forma como podia tocar corações. Esses momentos inocentes, mas cheios de verdade, foram a base de tudo o que sou hoje.

Sabemos que começou a vida artística fazendo covers. O que lhe inspirou a dar esse primeiro passo na música?

O que me inspirou foi o amor pela arte e pela expressão. Fazer covers permitiu-me viver diferentes emoções e aprender com grandes vozes que sempre admirei — desde Whitney Houston a C4 Pedro. Foi um processo de descoberta, de perceber como poderia, através da voz, transmitir algo meu, mesmo interpretando outros artistas.

Existe alguma música da sua autoria, ou algum cover que tenha feito, que considere particularmente marcante?

Sim, a minha música “Bungle Bang” é muito especial para mim. Além de ter alcançado mais de 3 milhões de visualizações, foi uma virada na minha carreira — marcou o momento em que o público começou a reconhecer a minha identidade musical. Também a música “Vamos Devolver”, com mais de 2 milhões de visualizações, representa a minha evolução e a ligação que tenho com quem me ouve.

Qual foi o momento em que sentiu que já não queria apenas interpretar outras vozes, mas partilhar a sua própria?

Aconteceu quando percebi que tinha histórias para contar. Depois de anos a interpretar canções de outros, senti que já tinha a minha própria voz — não apenas no sentido vocal, mas emocional e artístico. Era hora de me expressar de forma genuína, com as minhas palavras, as minhas vivências e o meu sentimento.

Que género musical a define e quais são as suas principais influências artísticas em Angola e fora?

Sou uma artista versátil, mas o Rap tem um espaço especial no meu coração. Gosto da liberdade que o Rap oferece — é cru, real e poderoso. Em Angola, inspiro-me em artistas como Pérola, C4 Pedro e Yuri da Cunha. Internacionalmente, admiro profundamente Beyoncé, Rihanna, Adele, Whitney Houston, Alicia Keys e Brenda Fassie — mulheres e vozes que representam força, emoção e autenticidade.

Mudemos um pouco o ângulo da conversa. É sabido que se mudou de Angola para Portugal: Como foi?

Foi um processo desafiante e enriquecedor ao mesmo tempo. Mudar de país é sempre um recomeço, e isso exige coragem e adaptação. Portugal trouxe-me novas perspetivas, oportunidades e uma visão mais ampla sobre a música e sobre o mundo.

O que foi mais marcante neste processo de adaptação pessoal e cultural?

O mais marcante foi perceber que, apesar das diferenças culturais, a essência humana é a mesma. Encontrei pessoas que me acolheram, que acreditaram em mim e que me ajudaram a crescer. Aprendi a valorizar ainda mais as minhas raízes e a importância de manter a minha identidade, mesmo em novos contextos.

Quais têm sido os maiores desafios neste percurso (como mulher, artista ou estudante)?

O maior desafio tem sido equilibrar tudo — a arte, os estudos e a vida pessoal. Como mulher, também enfrento o desafio de me afirmar num meio onde, muitas vezes, é preciso provar o dobro para ser levada a sério. Mas acredito que cada obstáculo tem um propósito, e cada dificuldade é uma lição de força.

Sente algum tipo de responsabilidade em representar o seu país ou a sua geração?

Sim, sinto uma enorme responsabilidade. Sei que, de alguma forma, sou uma voz da minha geração — e quero que essa voz inspire, represente e motive outros jovens, especialmente mulheres, a acreditarem no seu talento e nas suas capacidades. Levo Angola comigo em tudo o que faço.

Quanto aos sonhos, o que podemos esperar de Hélia Sandra artista nos próximos tempos?

Podem esperar evolução, autenticidade e muitas surpresas. Estou a trabalhar em novos projectos, com sonoridades diferentes e letras que reflectem o meu crescimento. Quero continuar a emocionar, a inspirar e a fazer da minha arte um espaço de verdade.

Sabemos que, além de artista, é estudante universitária pela UAN. Qual foi a razão da escolha do curso de Comunicação Social?

Escolhi Comunicação Social porque acredito que a música e a comunicação estão profundamente ligadas. Ambas têm o poder de conectar pessoas, transmitir mensagens e provocar mudanças. Além disso, quis ter uma base sólida para o futuro — se um dia eu não puder cantar, quero continuar a comunicar, a inspirar e a fazer diferença através da palavra.

De que forma a sua formação académica contribuiu para a sua jornada artística e pessoal?

A formação ajudou-me a compreender melhor o impacto da comunicação, da imagem e da mensagem. Fez-me crescer como pessoa e como profissional. Hoje, sou mais consciente do poder daquilo que digo e do modo como o transmito.

Ainda regressa para defender o trabalho de conclusão do curso?

Sim, estou a aguardar o momento da defesa do trabalho final. É um passo importante para mim, não apenas académico, mas também simbólico — o encerramento de um ciclo e o início de outro.

Que conselhos deixa aos jovens estudantes que também sonham com uma carreira artística?

Diria que a chave é acreditar, persistir e manter o foco. A arte é um caminho lindo, mas exige dedicação e paciência. Estudar, aprender e evoluir são partes fundamentais desse processo. Nunca deixem de sonhar — mas também nunca deixem de trabalhar por aquilo que sonham.

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