O Professor Doutor Supriano Dembe apresentou, juntamente com a doutora Inês Amaral – Professora Associada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra -, a comunicação intitulada “Narrativas da descolonização: Contributos para um enquadramento teórico sobre a cobertura mediática das Independências dos PALOP (1973–1975)”, no âmbito do XI Colóquio da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (FCS-UAN).
A intervenção integra-se num projecto de investigação desenvolvido em parceria com a Universidade de Coimbra, que visa analisar as representações jornalísticas dos processos de independência dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).
Durante a sua exposição, Supriano Dembe, investigador e professor catedrático da FCS-UAN, destacou a relevância de se compreender como a imprensa portuguesa retratou o período de transição entre outubro e novembro de 1975, quando Angola passou de província ultramarina a Estado independente.
De acordo com o Professor, este recorte histórico permite observar a forma como os media seleccionavam e enquadravam os acontecimentos, revelando as dimensões simbólicas e políticas subjacentes à narrativa da descolonização.
Além disso, sustentou a sua análise com base na teoria de Galtung, que propõe a existência de critérios de selecção noticiosa, como a frequência, a amplitude, a proximidade e a negatividade, que “determinam a visibilidade dos factos na comunicação social”.
No decurso da sua comunicação, o também chefe do Departamento de Comunicação da FCS-UAN recuperou estudos comparativos realizados em diferentes contextos africanos, destacando o trabalho de investigadores que analisaram a cobertura jornalística da independência do Senegal pela imprensa francesa, e o estudo “Wind of Change”, que examinou a forma como os media britânicos retrataram o fim do império colonial na África.
Por: António Dias e Mariana Wandi



